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ALIMENTAÇÃO:
O
Trinca-ferro (Saltator similis) tem sua alimentação muito
diversificada. Alimenta-se de uma grande variedade de sementes
(alpiste, painços, girassol, aveia, cártamo,
lentilha, sorgo, cânhamo...), rações peletizadas,
frutas e legumes. Para quem está querendo criar em larga
escala, esta diversificação acaba complicando
muito o manejo e dificultando as condições de
higiene, podendo levar as aves a quadros de diarréias
e intoxicações diversas. Outro problema é que
a ave adquire preferência por certos alimentos, como
sementes maiores e mais oleosas, e isso faz com que sua dieta
fique desbalanceada, levando a quadros de obesidade e subnutrição. O
ideal seria que o pássaro recebesse uma dieta única, onde
ele possa ter todos os nutrientes que necessita (proteínas,
açúcares, gorduras, vitaminas e sais minerais).
As rações extrusadas facilitarão muito
este trabalho e com certeza teremos melhores resultados. Vou
relatar minha experiência onde uso uma ração peletizada,
como base da dieta, uma farinhada de boa qualidade, grite mineral
e suplementação de aminoácidos, vitaminas
e minerais. Uso
tanto na ração peletizada quando na farinhada,
1% do suplemento. Alimento
Vivo: É necessário fornecer larvas de tenébrio,
como fonte de proteína animal para os filhotes. Nos
primeiros dias de vida dos filhotes as fêmeas procuram
basicamente por alimentos vivos. Um provável substituto
será a farinha de minhoca, sendo adicionada na farinhada
numa proporção de 2-3 %. Água:
A água de beber deve ser filtrada e os bebedouros
bem limpos.
Os trincas têm o hábito de levar alimento para o bebedouro, criando
assim um ambiente propício para surgimento de bactérias e de
fungos. Por isso o bebedouro deve ser bem lavado. FASES
DA CRIAÇÃO Considerando
que temos três fases na criação, reprodução,
muda e manutenção, fornecemos estes alimentos
da seguinte forma: FÊMEAS Reprodução –Fase
de maior exigência, onde além das necessidades
de manutenção a ave tem que produzir ovos e
tratar dos filhotes.
Nesta fase é fornecida a ração peletizada e a farinhada
seca, quando ainda não se tem filhotes, e umedecida, para trato dos
filhotes. Muda –É uma
fase também de muita exigência e estresse.
Nesta fase é fornecida a ração peletizada e a farinhada
seca, diminuindo a quantidade de farinhada à medida que a muda vá terminando. Manutenção –É a
fase de menor exigência, onde devemos preparar a ave
para reprodução. Nesta fase a ave teve estar
com uma plumagem completa, e uma condição corporal
que possibilite passar pela fase de reprodução
com uma boa produtividade sem prejudicar sua saúde. Nesta
fase é fornecida
basicamente a ração peletizada. Com a aproximação
do período reprodutivo, inicia-se com a farinhada em
pouca quantidade e vai-se aumentando. Este aumento de alimento
auxilia na preparação das aves para a reprodução. Em
todas as fases é fornecido o grite mineral à vontade. MACHOS Podemos
seguir o mesmo esquema das fêmeas, fornecendo uma quantidade
menor de farinhada do período de reprodução. ESCORE CORPORAL Para
facilitar uma análise da condição corporal dos nossos
pássaros, pensei numa forma de avaliação.
Desta forma poderemos dizer com maior facilidade se o pássaro
está gordo, magro, obeso ou em caquexia. Escore
um: Pássaro muito magro, peito em facão, musculatura
atrofiada (caquexia).
Escore dois: Pássaro magro, peito com perda de massa
muscular.
Escore três: Passaro com a musculatura cobrindo toda
a quilha do peito, podendo apresentar pequena camada de gordura
abdominal.
Escore quatro: Pássaro apresenta grande quantidade de gordura abdominal.
Escore cinco: Pássaro com grande quantidade de gordura no abdômen
e no peito (peito-de-bombo). O
ideal é que
o pássaro entre em reprodução com o escore
corporal entre três e quatro.
GAIOLAS PARA CRIAÇÃO O
tamanho ideal para as gaiolas de criação é de
80 cm de comprimento, 40cm de altura e 30cm de profundidade
para as gaiolas das fêmeas e 40x40x30 para os machos.
As gaiolas devem ter uma grade móvel no fundo a uma
altura maior que 3 cm da bandeja. Com esta grade evita-se que
as fêmeas puxem o papel do fundo e diminui o contado
direto com as fezes. POLEIROS Não
podem ser lisos, de preferência frisados, com diâmetros
variados.
NINHO O
ninho pode ser confeccionado em bucha ou sisal, com diâmetro
de 10,5 cm e 6 cm de profundidade. É importante
fornecer raízes, sisal cortado em pedaços de
até 8cm ou fibras de folha de coqueiro, para que a fêmea
confeccione o ninho. A
maioria das fêmeas roda o ninho, mas deixa nele pouco
material. Algumas
chegam a encher o ninho criando um espaço com o diâmetro
bem menor. SALA
DE CRIAÇÃO Deve
ser bem clara e arejada. Deve-se evitar cantos retos como soleiras
de janelas, para que não haja acúmulo de poeira,
penas, restos de alimento etc. O
Piso deve ser de fácil limpeza e as paredes de cor clara. HIGIENE A
melhor forma para se proceder na limpeza de qualquer utensílio, é seguir
esta seqüência: Primeiro
temos que retirar as partículas maiores com jato de água.
Isso facilita a ação dos detergentes e desinfetantes
nas superfícies. Em
seguida podemos deixar de molho numa solução com detergente
por 20-30 minutos e depois com uma escova ou uma bucha esfregar
toda a superfície. Enxaguar
bem e depois fazer a desinfecção, que pode ser
com uma solução de hipoclorito (cloro), quaternários
de amônia etc. Existem
no mercado detergentes clorados, que eliminam a necessidade
da
desinfecção. >> Gaiolas –As
gaiolas devem ser limpas todos os dias, retirando o papel da
bandeja, lavando a grade com água e detergente e desinfetando-a
com uma solução colorada a 300- 400 ppm (25 ml
de cloro a 12% em 10 litros de água). É claro
de outros desinfetantes podem ser usados. O
uso do calor para desinfecção das gaiolas é importante
e deve ser feito pelo menos uma vez ao ano. Pode ser usado
uma vassoura de fogo ou estufas. >> Poleiros –O
uso da grade no fundo da gaiola, diminui muito as sujidades
nos poleiros. O criador deve observar bem a posição
dos poleiros para que ao defecar o pássaro não
suje o poleiro que estiver abaixo. Os poleiros
devem ser mantidos sempre limpos. >> Bebedouros –Devem
ser bem lavados, escovados e desinfetados todos os dias, pois
os trincas têm o hábito de umedecer o alimento,
criando na água do bebedor um ambiente propício
para bactérias e fungos. >> Comedouros –Devem
ser limpos pelo menos uma vez por semana, mas o criador deve
ficar atento, pois assim como nos bebedouros, o alimento umedecido
incrustado cria um ambiente favorável principalmente
para os fungos. >> Sala
de criação –Não deixar acumular
penas e restos de alimentos no chão. O uso de bandejas
móveis sob as prateleiras diminui a necessidade de varrer
o local todo o dia, estressando menos os pássaros.
MÉTODOS DE CRIAÇÃO O
criador pode optar por duas formas de criação: MONOGAMIA
ou POLIGAMIA, que dependerá da finalidade da criação. A
monogamia é o
sistema onde há formação do casal, onde
os dois ficam responsáveis por alimentar os filhotes. Vantagem:
>> Menor trabalho com manejo reprotudivo;
>> Maior facilidade na alimentação dos filhotes. Desvantagens:
>> Gaiolas ou viveiros maiores;
>> Necessidade de espaço maior para criação;
>> Riscos de agressões aos filhotes;
>> Melhoramento genético lento;
>> Menor produtibilidade.
A poligamia é o sistema onde um macho é utilizado para cobertura
de mais de uma fêmea, podendo chegar facilmente numa relação
de 1:5. Vantagens:
>> Gaiolas menores;
>> Verticalização da produção;
>> Espaço menor para criação;
>> Maior produtibilidade;
>> Melhores condições de seleção genética;
>> Menor riscos de agressões aos filhotes. Desvantagens:
>> Maior tempo dispensado para o manejo reprodutivo;
>> Ajuda na alimentação dos filhotes.
MANEJO REPRODUTIVO NA POLIGAMIA
Nestas condições a fêmea é a dona do território,
exerce dominância, chegando muitas vezes a demonstrar agressividade na
presença do macho. O macho demonstra respeito pela fêmea, às
vezes medo. Para
facilitar o cruzamento, precisamos de fêmeas dominantes sem agressividade
e machos que respeitem as fêmeas, mas que não
tenham medo. Fêmeas
muito agressivas ou macho com medo, representam maiores dificuldades
para o cruzamento. É comum
as fêmeas de trinca pedirem gala mesmo não estado
prontas. Este comportamento é chamado pelos criadores
de “gala falsa”. Normalmente estas fêmeas
são boas criadeiras e é um sinal que estão
bem adaptadas ao cativeiro. A “gala
falsaӎ uma dificuldade a mais na hora de fazer
os cruzamento. Brigas são comuns e muitas vezes acabamos
perdendo um bom reprodutor, por este ficar com medo da fêmea
ou agressivo, não fazendo mais a cobertura. Na
tentativa de diminuir estes acidentes, passo a informar alguns
cuidados
e observações que o criador deve ter: Somente
tente fazer o macho galar a fêmea, se esta estiver confeccionando
o ninho. Se ela pedir gala, mas estiver acompanhado os movimentos
do macho, não é a hora. A
fêmea,
quando pronta, fica estática, parece estar em transe.
Portanto, se estiver movimentando a cabeça ou o corpo,
ainda não é a hora. Normalmente
quando ela esta pronta, ela pede gala e junta as penas da cauda
para facilitar a cobertura. Use
a grade divisória na gaiola da fêmea. Se o macho entrar
na gaiola e ela continuar parada, é sinal que esta pronta.
Então volte o macho para a gaiola dele, espere de 20-30
minutos e deixe-o entrar na gaiola, agora sem a divisória.
Se a fêmea pedir gala de costas para o macho, provavelmente
ela vai deixar ele galar. Estas
são
observações que podem ajudar, mas com o tempo
o criador passa a conhecer melhor as fêmeas, e saberá detalhes
do comportamento de cada uma, tendo assim melhores resultados. As
fêmeas
podem continuar aceitando o macho por até 3 dias. A
postura ocorre, normalmente, 2 dias após ela não
aceitar mais cobertura. Se
o macho estiver com uma boa fertilidade, uma cobertura é suficiente
para fertilizar todos os ovos. No início da temporada é importante
deixar o macho fazer mais coberturas até termos maiores
garantias da fertilidade. Depois é melhor diminuir as
coberturas, assim poderemos cobrir mais fêmeas com
um mesmo macho. INCUBACÃO
DOS OVOS Os
ovos serão
incubados por 13 dias. A
ovoscopia, para se ter maior segurança, deve ser feita com 5 dias,
mas a partir de 3 dias já é possível observar
o embrião.
NASCIMENTO DOS FILHOTES Nos
primeiros dias de vida dos filhotes, a fêmea procura basicamente
por alimento vivo. É importante fornecer também
uma farinhada umedecida de boa qualidade, com níveis
de proteína acima de 20%. É preciso
regular a quantidade de larvas de tenébrio, pois o seu
excesso pode causar compactação nos filhotes. O
criador pode tentar não fornecer alimento vivo, para isso recomendo
adição de 2-3 % de farinha de minhoca na farinhada.
SEPARAÇÃO DOS FILHOTES Os filhotes
devem ser separados entre 35-40 dias. É uma
fase crítica para os filhotes. O estresse da separação
pode predispor o filhote a doenças, devido uma baixa
nas defesas do seu organismo. Portanto devemos fazer o possível
para evitar transtornos nesta fase. >> Não
junte filhotes de mais de uma ninhada numa mesma gaiola. Caso
não seja possível, pelo menos não deixe
filhotes mais velhos com os mais novos. Os mais valentes
podem bater nos mais novos, prejudicando o seu desenvolvimento
e
causando estresse.
>> Fornecer um soro hidratante e ou um complexo vitamínico nesta
fase é muito importante, pelo menos uns 7-10 dias.
>> Mantenha os cuidados com a higiene. Os filhotes experimentam de tudo,
inclusive as fezes. Uma gaiola com a grade alta no fundo, é indispensável.
>> Uma grande preocupação nesta fase é com a coccidiose.
Se possível, monitore com exames de fezes o número de oocistos.
>> Sempre que observar algum filhote com problemas, separe-o para que possa
ser melhor tratado.
>> O principal é não deixar os filhotes adoecerem, pois a
recuperação, dependendo do caso, é bem difícil.
fonte: cobrap.org.br |